terça-feira, 24 de abril de 2012

TEORIA E PRÁTICA

Recentemente tive um diálogo com um jovem que estava lendo um livro de Stanley Gundry (Panorama do Novo Testamento, da Edições Vida Nova). Confesso que fiquei feliz em saber que existem pessoas que anelam conhecer mais sobre Deus e sobre Sua Palavra, pois querem servir melhor, adorar melhor e viver melhor nesse mundo caído. No curto espaço de tempo em que compartilhamos verdades fundamentais da fé cristã, aproveitei para estimular meu jovem irmão ao estudo da Teologia Cristã, indicando livros, editoras, autores e sites com conteúdo edificante, de modo que ele pudesse fortalecer ainda mais sua fé com conteúdo doutrinário sólido. Percebi, no decorrer do diálogo, que ele desejava "viver o Cristianismo", pôr em prática um modo de vida cristão. Não discordei do meu jovem irmão, mas o adverti de que é preciso conhecer o que se deseja praticar. O Cristianismo não pode ser teórico, meramente intelectual, mas deve permear nossa existência através de ações que redundem em glória ao nosso Deus. Por outro lado, há o risco de um Cristianismo experimental, baseado nos sentidos e impressões subjetivistas de cada um, o que termina descambando para um misticismo exarcerbado e práticas que não condizem com o claro ensino das Escrituras. Verifico que o anti-intelectualismo, a rejeição do estudo sistemático da Bíblia e o preconceito contra o estudo da Teologia são justificados com frases tais "o que importa é praticar a fé", mas como é possível orar, louvar, adorar e servir a Deus sem conhecimento algum Dele? Como é possível defender sua fé dos ataques de tantos adversários (ateus, satanistas, espíritas, membros de seitas, muçulmanos, ...) sem o treinamento proporcionado pela Apologética? como é possível ensinar, pregar e pastorear o rebanho de Deus sem as ferramentas fornecidas pela Hermenêutica, Homilética e outras disciplinas? Será que esquecem que é Deus quem santifica o nosso entendimento, quem nos capacita a compreender a Sua Palavra. Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, disse que temos diferentes dons e, especificamente aos que possuem capacitação para ensinar, exortou: "se é ensinar, haja dedicação ao ensino" (Romanos 12.7b). Boa base doutrinária leva a boas práticas. Ensino e pregação feitos relaxadamente fatalmente levarão ao declínio da igreja, seja por escândalos, seja por heresias, seja por uma ética relativista e mundana, que jamais será a ética cristã!

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