O interesse por genealogias era comum entre os judeus, já que a preservação de registros genealógicos tinha como propósito estabelecer a linhagem familiar e o direito de ocupar determinada posição, como o sacerdócio. (tal informação nos fornece o contexto histórico e cultural reinante naquela época)
A leitura de Esdras 2.61-62 nos dará maiores detalhes sobre a relevância de uma genealogia para a mentalidade judaica, servindo como contexto remoto para a passagem ora analisada em nosso primeiro estudo indutivo.
O Evangelho segundo Mateus, conforme é afirmado por inúmeros comentaristas, foi escrito primordialmente para os judeus, estando o texto repleto de citações diretas ou indiretas do Antigo Testamento que servem para demonstrar que Jesus é o Messias, o Rei dos Judeus e descendente direto de Davi.
Logo no início do Evangelho, Mateus trata de apresentar as credenciais de Jesus, trazendo o registro genealógico de Jesus, que segue a linhagem de José e, curiosamente, é organizada em três grupos de catorze pessoas cada, sendo um dado bastante significativo, pois a soma das letras que compõem o nome de Davi é 14.
Um fato que chama a atenção na leitura dos nomes da genealogia é a inclusão de mulheres, o que certamente chamou a atenção dos judeus, pois não era comum incluir mulheres em genealogias, especialmente gentias. Fazendo um exercício de análise do contexto remoto, leia Gênesis 38.6-30; Josué 2; Rute 1.4; 2 Samuel 11 e Isaías 7.14.
O que torna especial a genealogia de Jesus é que mostra claramente que Deus é o Senhor da História e que cumpre o Seu propósito, derrubando barreiras espirituais, sociais e culturais.
Em Jesus é derrubada a barreira que separa o judeu do gentio, pois a salvação é estendida a todos os povos da terra.
Em Jesus, a barreira que separa o homem da mulher é derrubada, pois ambos estão igualmente perto do amor de Deus e são igualmente importantes.
Em Jesus, a barreira que separa o Santo do pecador é derrubada, pois Deus mesmo veio estar com os homens, o Emanoel, Deus conosco.
Na Sua encarnação, Jesus não se envergolhou de Sua árvore genealógica e não se envergonhará de chamar-nos de irmãos e conduzir-nos à vida eterna.
Como tarefa adicional, realize um exercício de observação de contexto remoto e leia a genealogia contida no Evangelho de Lucas, capítulo 3.23-38, para identificar as semelhanças e distinções de cada genealogia.
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